Resumo em 30 segundos
- Desde janeiro de 2026, quem ganha até R$ 5 mil por mês não paga Imposto de Renda no salário. Para esse trabalhador, a economia chega a R$ 312,89 por mês.
- Entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350, o desconto do IR é parcial e diminui conforme o salário sobe; acima de R$ 7.350, nada mudou.
- Um salário bruto de R$ 5.000 vira R$ 4.498,49 líquidos, com só o INSS descontado; um de R$ 6.000 vira R$ 4.973,39.
- Segundo a Agência Brasil, cerca de 15 milhões de pessoas ficaram totalmente isentas, ao custo de R$ 25,4 bilhões por ano.
- O dinheiro que deixou de ir para o imposto rende mais quando tem destino: dívidas caras, reserva de emergência e investimentos, nessa ordem.
O salário líquido de muita gente aumentou em 2026 sem que o patrão desse um centavo de reajuste. A razão é a nova regra do Imposto de Renda, em vigor desde janeiro: quem ganha até R$ 5 mil por mês deixou de pagar IR no salário, e quem ganha até R$ 7.350 passou a pagar menos. Para quem estava perto do limite, a diferença chega a mais de R$ 300 por mês, ou cerca de R$ 4 mil por ano, contando o 13º.
Mesmo assim, muita gente olha o holerite e não entende a conta. O INSS continua sendo descontado, o IR aparece em uma linha e some em outra, e a palavra "redução" surge no meio do caminho. Neste guia, explicamos como o salário líquido é calculado em 2026, faixa a faixa, com exemplos em reais feitos com as tabelas oficiais. No fim, mostramos o que fazer com o dinheiro que deixou de ir para o imposto.
O que mudou no Imposto de Renda em 2026
A mudança veio da Lei 15.270, de 26 de novembro de 2025, que reformou o Imposto de Renda da pessoa física. Ela não mexeu na tabela progressiva, que continua com as mesmas cinco faixas. Em vez disso, criou uma redução do imposto mensal, aplicada depois do cálculo normal:
- até R$ 5.000 de renda tributável por mês: a redução é de até R$ 312,89, o que zera o imposto;
- de R$ 5.000,01 a R$ 7.350: a redução é parcial e cai em linha reta conforme a renda sobe, pela fórmula R$ 978,62 − 0,133145 × renda;
- acima de R$ 7.350: não há redução, e o imposto segue a tabela de sempre.
Segundo a Agência Brasil, cerca de 15 milhões de pessoas ficaram totalmente isentas com a nova regra, e o custo para os cofres públicos é estimado em R$ 25,4 bilhões por ano. Para compensar, a lei criou uma tributação mínima para quem ganha mais de R$ 600 mil por ano e uma retenção de 10% sobre dividendos acima de R$ 50 mil por mês pagos por uma mesma empresa a uma pessoa física.
Na prática: o holerite pode mostrar o imposto calculado pela tabela e, logo abaixo, a redução que o anula. O que importa é o valor final retido, que para quem ganha até R$ 5 mil deve ser zero.
Como calcular o salário líquido, passo a passo
O salário líquido é o bruto menos três tipos de desconto: o INSS, o Imposto de Renda e os outros descontos da folha, como vale-transporte, plano de saúde e pensão alimentícia. A ordem do cálculo é sempre a mesma.
1. Desconto do INSS
A contribuição ao INSS é progressiva por faixas, como o IR. Em 2026, as alíquotas são:
- até R$ 1.621,00: 7,5%;
- de R$ 1.621,01 a R$ 2.902,84: 9%;
- de R$ 2.902,85 a R$ 4.354,27: 12%;
- de R$ 4.354,28 a R$ 8.475,55: 14%.
Cada alíquota incide só sobre a parte do salário dentro da faixa. Acima de R$ 8.475,55, o teto, a contribuição para de crescer e fica em R$ 988,09 por mês.
2. Base do Imposto de Renda
Do salário bruto, a lei permite abater o INSS, R$ 189,59 por dependente e a pensão alimentícia judicial. Existe também o desconto simplificado mensal, de R$ 607,20, que substitui essas deduções quando é maior do que elas. A folha usa automaticamente a opção mais vantajosa.
3. Imposto pela tabela e redução
Sobre a base, aplica-se a tabela mensal: isenção até R$ 2.428,80 e alíquotas de 7,5%, 15%, 22,5% e 27,5% nas faixas seguintes, com a parcela a deduzir de cada uma. Do resultado, sai a redução de 2026. O que sobra é o imposto retido.
Exemplos de salário líquido em 2026
Fizemos as contas para salários de R$ 2 mil a R$ 10 mil, sem dependentes e sem outros descontos. Todos os valores são cálculos da Ventach com as tabelas oficiais de 2026.
| Salário bruto | INSS | IR retido | Salário líquido |
|---|---|---|---|
| R$ 3.000,00 | R$ 248,60 | R$ 0,00 | R$ 2.751,40 |
| R$ 4.000,00 | R$ 368,60 | R$ 0,00 | R$ 3.631,40 |
| R$ 5.000,00 | R$ 501,51 | R$ 0,00 | R$ 4.498,49 |
| R$ 5.500,00 | R$ 571,51 | R$ 190,47 | R$ 4.738,02 |
| R$ 6.000,00 | R$ 641,51 | R$ 385,10 | R$ 4.973,39 |
| R$ 7.000,00 | R$ 781,51 | R$ 754,75 | R$ 5.463,74 |
| R$ 8.000,00 | R$ 921,51 | R$ 1.037,85 | R$ 6.040,64 |
| R$ 10.000,00 | R$ 988,09 | R$ 1.569,55 | R$ 7.442,36 |
O caso de R$ 5.000 mostra bem a mudança. Pela tabela, o imposto seria de R$ 312,89 por mês. A redução de 2026 cancela esse valor inteiro, e o trabalhador fica só com o desconto do INSS. Em um ano, com o 13º, são mais de R$ 4 mil que antes iam para a Receita.
O gráfico mostra que o maior ganho fica exatamente em R$ 5 mil. Abaixo disso, o imposto pela tabela já era menor, então a economia também é menor. Acima de R$ 5 mil, a redução diminui pouco a pouco até desaparecer em R$ 7.350. Essa transição gradual evita um "degrau": quem ganha R$ 5.100 não fica com menos dinheiro no bolso do que quem ganha R$ 5.000.
Veja o seu caso na calculadora de salário líquido, que aceita dependentes, pensão e outros descontos:
Simule aqui: Salário líquido
Abrir calculadora completaConteúdo educativo. As simulações são estimativas e não constituem recomendação de investimento.
Quanto do salário fica com você
Outra forma de ver a mudança é olhar a porcentagem do salário bruto que chega à conta. Até R$ 5 mil, o único desconto relevante é o INSS, e o trabalhador fica com 90% ou mais do bruto. A partir daí, o IR volta a pesar, e a fatia líquida cai mais rápido.
Isso tem uma consequência prática para quem negocia salário ou avalia uma proposta de emprego. Um aumento de R$ 5.000 para R$ 6.000 parece de 20%, mas o líquido sobe de R$ 4.498,49 para R$ 4.973,39, ou 10,6%. Na faixa de transição, cada real a mais de bruto rende bem menos de um real no bolso. Vale fazer a conta antes de comparar propostas, inclusive benefícios que não pagam imposto, como vale-refeição e plano de saúde.

Dependentes, pensão e o desconto simplificado
Para quem ganha acima de R$ 5 mil, as deduções voltam a fazer diferença. Cada dependente abate R$ 189,59 da base do IR. Como o desconto simplificado de R$ 607,20 só vale quando é maior do que as deduções legais, um trabalhador com INSS alto e dois dependentes pode ter deduções que superam esse valor, e aí a folha usa as deduções legais.
A pensão alimentícia determinada pela Justiça também abate integralmente da base. Já descontos como plano de saúde e vale-transporte não reduzem o IR na folha. O plano de saúde pode ser deduzido só na declaração anual, que acerta as contas do ano inteiro.
E a declaração anual?
A redução também vale no ajuste anual. A Lei 15.270/2025 criou uma redução anual equivalente: renda tributável de até R$ 60 mil no ano não paga imposto, e entre R$ 60.000,01 e R$ 88.200 a redução é parcial. Quem teve o imposto zerado mês a mês e não tem outras rendas tende a não ter imposto a pagar na declaração de 2027. Quem tem outras rendas tributáveis, como aluguel ou trabalho autônomo, deve ficar atento, porque a soma pode gerar imposto no ajuste. Explicamos as regras dos investimentos no guia de Imposto de Renda sobre investimentos.
O 13º e quem tem duas fontes de renda
A isenção vale para todas as verbas tributáveis do trabalhador, inclusive o 13º, que tem tributação exclusiva na fonte e é calculado à parte do salário. Quem ganha até R$ 5 mil não terá IR retido na segunda parcela do 13º, que vence em 20 de dezembro. Detalhamos as datas e o cálculo em 13º salário 2026: datas, cálculo e o que fazer com o dinheiro.
A regra vale por fonte pagadora e por mês. A Receita Federal dá um exemplo: quem recebe R$ 4.000 de duas fontes diferentes não tem imposto retido em nenhuma delas, mas a diferença é cobrada no ajuste anual, porque a renda somada passa de R$ 5 mil. Quem está nessa situação pode se planejar desde já para não ser surpreendido em 2027.
Para quem quer ver a nova regra explicada em vídeo, a reportagem da Jovem Pan News registra o início da isenção, em janeiro de 2026.
O que fazer com o dinheiro que sobrou
Um aumento que chega sem aviso costuma desaparecer sem que a gente perceba. A economia com o IR vira um jantar a mais, uma assinatura nova, uma parcela maior no cartão. Para que ela faça diferença, recomendamos dar um destino a esse valor já no mês em que ele aparece, numa ordem simples:
- 1Quitar dívidas caras. Se há saldo no rotativo do cartão ou no cheque especial, nenhum investimento rende tanto quanto os juros que você deixa de pagar. Veja como montar um plano em como sair das dívidas.
- 2Montar a reserva de emergência. O ideal é ter de três a seis meses de despesas em uma aplicação segura e com resgate rápido. O passo a passo está em como montar a reserva de emergência.
- 3Automatizar um investimento. Programar uma transferência mensal do valor economizado para uma aplicação, logo depois do pagamento, impede que o dinheiro seja absorvido pelo consumo.
Para ter uma ideia: R$ 312,89 por mês aplicados a 10% ao ano viram cerca de R$ 84 mil em 12 anos, pelas nossas contas, antes do imposto. A calculadora de juros compostos mostra o efeito com os seus números.

Este conteúdo é informativo. Convenções coletivas, verbas variáveis e descontos específicos da sua empresa podem mudar o valor final; em caso de dúvida, confira com o departamento pessoal.
Perguntas frequentes
Quem ganha até R$ 5 mil paga Imposto de Renda em 2026? Não. Desde janeiro de 2026, a redução do imposto zera o IR de quem tem renda tributável mensal de até R$ 5 mil. O INSS continua sendo descontado normalmente.
Quem ganha R$ 6 mil paga quanto de Imposto de Renda? Sem dependentes, o IR retido é de R$ 385,10 por mês, e o salário líquido fica em R$ 4.973,39, pelas nossas contas com as tabelas de 2026.
A partir de qual salário a isenção não vale mais? A redução diminui gradualmente entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350 e acaba acima de R$ 7.350. A partir daí, o imposto segue a tabela progressiva sem desconto.
O INSS também mudou em 2026? As faixas foram corrigidas, como todo ano. A primeira vai até R$ 1.621,00, com 7,5%, e o teto é de R$ 8.475,55, com contribuição máxima de R$ 988,09.
Como saber se a empresa aplicou a isenção? Confira o holerite: o valor final de IR retido deve ser zero para renda de até R$ 5 mil. Se houver desconto, procure o departamento pessoal com o holerite em mãos.
Resumo
Em 2026, o salário líquido de quem ganha até R$ 5 mil por mês passou a ter só o desconto do INSS, porque uma redução nova zera o Imposto de Renda nessa faixa. Entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350, o IR cai parcialmente, e acima disso nada mudou. Um salário de R$ 5.000 rende R$ 4.498,49 líquidos, e um de R$ 6.000, R$ 4.973,39. A economia, de até R$ 312,89 por mês, rende mais quando tem destino: dívidas caras, reserva e investimentos. Para planejar o próximo dinheiro extra do ano, veja também 13º salário 2026: datas, cálculo e o que fazer com o dinheiro.
Referências
- Agência Brasil. Isenção de IR para quem ganha até R$ 5 mil entra em vigor, dezembro de 2025.
- Agência Brasil. Veja faixas e alíquotas das novas tabelas do Imposto de Renda 2026, janeiro de 2026.
- Receita Federal. Receita Federal orienta fontes pagadoras e contribuintes a calcular a redução do imposto de renda a partir de 1º de janeiro de 2026, dezembro de 2025.
- Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Tabela de contribuição mensal, vigente desde janeiro de 2026.
- Receita Federal. Rendimentos do trabalho: Manual do Imposto de Renda.
- Jovem Pan News. Isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$5 mil começa a valer (vídeo).
Conteúdo educativo, sem recomendação de compra ou venda de ativos. Regras de tributação e taxas podem mudar: confirme as condições vigentes antes de investir. Rentabilidade passada não garante resultados futuros.
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Imagem: Ladeira lotada de pedestres no centro comercial de São Paulo, com lojas dos dois lados. Crédito: Wilfredor / Wikimedia Commons, licença CC0.



