Barraca de frutas em uma calçada, com caixas de morango e uma placa que diz "Morango 3 por 12,00, aceito Pix"
Erros comuns

Caiu no golpe do Pix? Como pedir o dinheiro de volta pelo MED

Caiu no golpe do Pix? Veja como pedir o dinheiro de volta pelo MED no app do banco, o prazo de 80 dias, o que mudou com o MED 2.0 e o golpe do Pix errado.

11 min de leitura

Resumo em 30 segundos

  • Quem caiu num golpe do Pix tem até 80 dias, contados da transferência, para pedir a devolução pelo Mecanismo Especial de Devolução (MED).
  • Desde outubro de 2025, o pedido pode ser feito direto no aplicativo do banco, na área do Pix, sem passar pela central de atendimento.
  • Desde 2 de fevereiro de 2026, o MED 2.0 é obrigatório e rastreia o dinheiro mesmo depois de ele ser transferido para outras contas.
  • O MED não cobre erro de digitação do próprio usuário nem desacordo comercial sem fraude; a devolução depende de haver saldo nas contas envolvidas.
  • No golpe do Pix errado, devolva o valor pela função de devolução da própria transação, e nunca por um novo Pix para outra chave.

O golpe do Pix é um dos crimes financeiros mais comuns do país. Pode começar com uma mensagem de um falso parente pedindo dinheiro, um anúncio de produto que nunca chega, uma ligação de uma falsa central do banco ou um comprador que diz ter mandado um Pix "por engano". Em comum, todos terminam com uma transferência instantânea para a conta de um golpista, e com a vítima se perguntando se é possível recuperar o dinheiro.

Às vezes é. O Banco Central criou um mecanismo para isso, o MED, e o reforçou em 2025 e 2026: o pedido agora pode ser feito pelo aplicativo do banco, o dinheiro pode ser rastreado mesmo depois de passar por várias contas, e há um prazo de 80 dias para contestar. Neste guia, explicamos como pedir a devolução, o que o MED cobre e o que não cobre, o que fazer nas primeiras horas depois do golpe e como se proteger da armadilha do Pix errado.

O que é o MED do Pix

O Mecanismo Especial de Devolução (MED) é um conjunto de regras do Pix que permite bloquear e devolver valores transferidos em casos de fraude, golpe ou falha operacional da instituição financeira. Ele existe desde 2021 e faz parte do regulamento do Pix, definido pelo Banco Central.

Funciona assim: quando a vítima contesta uma transação, o banco dela avisa o banco que recebeu o dinheiro. O valor que ainda estiver na conta do recebedor é bloqueado imediatamente. Os bancos analisam o caso e, se a fraude for confirmada, o dinheiro bloqueado volta para a vítima.

Diagrama em cinco etapas do MED: a vítima contesta o Pix no aplicativo em até 80 dias; o banco do recebedor bloqueia o saldo disponível; as instituições analisam o caso em até 7 dias; o MED 2.0 rastreia o dinheiro em outras contas; o valor encontrado é devolvido, total ou parcialmente
Etapas do Mecanismo Especial de Devolução em casos de fraude. Fonte: Banco Central, Resolução BCB 493/2025 e Agência Brasil.

A devolução não é garantida. Ela depende de existir dinheiro nas contas envolvidas quando o bloqueio acontece. Golpistas costumam transferir os valores para outras contas em minutos, e é por isso que a rapidez da vítima faz tanta diferença.

O que mudou com o MED 2.0

Até 2025, o MED tinha uma limitação grave: a devolução só podia sair da conta que recebeu o Pix original. Como os golpistas esvaziam essa conta rapidamente, muitas vítimas abriam o pedido e descobriam que não havia mais nada a bloquear.

Em agosto de 2025, o Banco Central publicou a Resolução BCB 493, que criou a funcionalidade de recuperação de valores, chamada de MED 2.0. As principais mudanças:

  • Rastreamento do dinheiro. O mecanismo identifica os caminhos que o dinheiro percorreu depois da primeira conta, e a devolução pode sair de outras contas, e não só daquela usada no golpe.
  • Obrigatório para todos. A funcionalidade começou de forma opcional em novembro de 2025 e se tornou obrigatória para todos os bancos e instituições de pagamento em 2 de fevereiro de 2026.
  • Prazo mais curto. Segundo o Banco Central, as mudanças permitem a devolução dos recursos em até 11 dias depois da contestação.
  • Pedido pelo aplicativo. Desde 1º de outubro de 2025, o pedido de devolução é feito de forma digital, na área do Pix do aplicativo do banco, sem precisar falar com a central de atendimento.

Para o Banco Central, o pedido feito direto no aplicativo aumenta a chance de ainda haver dinheiro na conta do golpista quando o bloqueio acontecer. Uma etapa adicional de comunicação entre as instituições, prevista inicialmente para agosto de 2026, foi adiada para 26 de outubro, sem mudar o rastreamento que já funcionava, segundo a Agência Brasil.

Bilheteria de uma estação de trem com uma passageira pagando a passagem pelo celular, ao lado de uma placa com o preço de R$ 4,50
Pagamento por Pix em bilheteria da Trensurb, em Porto Alegre: o Pix é instantâneo, e por isso agir rápido é essencial em caso de golpe. Foto: Trensurb / Wikimedia Commons, licença CC BY 2.0.

Caiu no golpe do Pix: o que fazer agora

Se você percebeu que foi vítima de um golpe, cada minuto conta. Siga esta ordem:

  1. 1Abra a contestação no aplicativo do banco, na área do Pix, na transação que você fez. Procure a opção de contestar ou de pedir devolução por golpe. Se não encontrar, ligue para a central oficial do banco, pelo número que está no verso do cartão ou no site, e peça a abertura do MED.
  2. 2Reúna as provas. Comprovante do Pix, prints das conversas, anúncios, perfis, números de telefone e e-mails usados pelo golpista. Não apague nada.
  3. 3Registre um boletim de ocorrência. Muitos estados permitem o registro pela internet, na delegacia virtual. O boletim ajuda na análise do banco e em eventuais medidas na Justiça.
  4. 4Bloqueie o contato do golpista e não negocie com ele. Golpistas costumam voltar com novas histórias, como a cobrança de uma "taxa" para devolver o dinheiro.
  5. 5Acompanhe o pedido pelo aplicativo ou pelo protocolo informado. No fluxo de fraude, as instituições têm até 7 dias para analisar se há indícios de irregularidade.

O prazo para pedir a devolução é de até 80 dias a partir da transferência. Mas não espere: quanto mais cedo o pedido, maior a chance de o dinheiro ainda estar em alguma conta.

Atenção: desconfie de quem oferece "recuperar o dinheiro do golpe" em troca de pagamento, inclusive perfis que dizem ser advogados ou hackers. O MED é gratuito e é pedido no seu próprio banco. Esse é um golpe em cima do golpe.

O que o MED cobre e o que não cobre

O MED foi feito para fraudes, e não para cancelar qualquer Pix. Entender os limites evita frustração:

Comparação em duas colunas: o MED cobre golpes e fraudes, Pix feito sob coerção e falhas operacionais do banco; não cobre erro de digitação do próprio usuário, desacordo comercial sem fraude e casos entre terceiros de boa-fé
Situações em que o MED pode e não pode ser usado. Fonte: Banco Central, via Agência Brasil.

Se você mandou um Pix para a pessoa errada por erro de digitação, o MED não se aplica. Nesse caso, o caminho é entrar em contato com o banco para tentar falar com o recebedor e pedir a devolução amigável. Se a pessoa se recusar a devolver, é possível recorrer à Justiça. Já numa compra que não foi entregue, o MED só vale se houver indício de fraude, como um anúncio falso ou um vendedor que desaparece. Uma simples discordância com uma loja de verdade se resolve pelos canais de defesa do consumidor.

O golpe do Pix errado

Um golpe que cresceu nos últimos anos usa o próprio MED contra quem recebe dinheiro, principalmente comerciantes, prestadores de serviço e pequenos negócios. Ele funciona assim:

  1. 1O golpista faz um Pix verdadeiro para a loja ou para o vendedor.
  2. 2Em seguida, diz que transferiu por engano e pede a devolução por um novo Pix, muitas vezes para uma chave diferente.
  3. 3Depois que recebe a devolução, ele aciona o MED no próprio banco, alegando que o Pix original foi uma fraude.
  4. 4Se a contestação for aceita e houver saldo, o banco devolve o valor original ao golpista. O comerciante perde duas vezes.

Para se proteger, a recomendação do Banco Central é simples: use a função de devolução vinculada à própria transação no aplicativo do banco, e nunca faça um novo Pix para uma chave informada pela outra pessoa. A devolução pela própria transação fica registrada como devolução, e não pode ser usada no golpe.

Desde 1º de setembro de 2026, quem teve um valor devolvido pelo MED de forma indevida também tem 80 dias, contados da devolução, para contestá-la. Antes, o prazo era de 30 dias. A mudança foi feita pela Instrução Normativa BCB 766.

O Banco Central explica esse golpe num vídeo da série BC te Explica, do canal oficial do banco no YouTube, com mais de 120 mil visualizações. Vale assistir, principalmente se você vende pela internet ou recebe pagamentos por Pix:

Vídeo do canal Banco Central do Brasil, no YouTube. O player só carrega quando você clica. Assistir no YouTube

Como se proteger dos golpes do Pix

A melhor devolução é a que não precisa acontecer. Alguns cuidados reduzem muito o risco:

  • Confirme por outro canal. Se um parente ou amigo pede dinheiro por mensagem, ligue para o número que você já conhece antes de transferir.
  • Confira o nome do recebedor. Antes de confirmar o Pix, o aplicativo mostra o nome e parte do CPF ou do CNPJ de quem vai receber. Se não for quem você espera, pare.
  • Desconfie da pressa. Golpistas criam urgência: uma conta que vai ser bloqueada, uma promoção que acaba em minutos, um parente em apuros. Urgência é sinal de alerta.
  • Banco não pede Pix para "proteger a conta". Nenhum banco liga pedindo transferência para uma "conta segura", nem pede senha ou código por telefone.
  • Ajuste os limites. Os aplicativos permitem reduzir o limite do Pix, principalmente à noite, e cadastrar contatos de confiança. Um limite menor reduz o tamanho do prejuízo.
  • Desconfie de preços bons demais. Produtos muito abaixo do preço de mercado, vendidos por perfis novos e com pagamento só por Pix, são um padrão comum de golpe.

Golpes que prometem dinheiro fácil, como tarefas pagas e investimentos milagrosos, também costumam terminar num Pix. Contamos como reconhecê-los em golpes de renda extra em casa e em golpes financeiros: pirâmides e promessas de lucro fácil.

Dedo tocando a tela de um smartphone dourado sobre uma mesa branca, com uma maçã verde ao fundo
Conferir o nome do recebedor antes de confirmar o Pix é a proteção mais simples contra golpes. Foto: Unknown author / Wikimedia Commons, licença CC0.

Como reconstruir o dinheiro perdido

Quem perde dinheiro num golpe costuma sentir o impacto no orçamento por meses, principalmente se o valor era a reserva de emergência. Se a devolução não acontecer, ou acontecer só em parte, a prioridade é evitar que o prejuízo vire dívida cara, como o cheque especial ou o rotativo do cartão.

Depois, recomponha a reserva aos poucos, com um valor fixo por mês. O guia de como montar a reserva de emergência ajuda a definir quanto guardar e onde. Simule em quanto tempo você recompõe o valor perdido. Esta não é uma recomendação individual:

Simule aqui: Tempo para juntar

Abrir calculadora completa

Conteúdo educativo. As simulações são estimativas e não constituem recomendação de investimento.

O passo a passo que recomendamos

  1. 1Conteste imediatamente no aplicativo do banco, na área do Pix, ou pela central oficial.
  2. 2Guarde todas as provas e registre um boletim de ocorrência.
  3. 3Não pague ninguém que prometa recuperar o dinheiro.
  4. 4Acompanhe o pedido e lembre que o prazo é de 80 dias, mas a chance de recuperação cai com o tempo.
  5. 5Reduza os limites do Pix e revise os cuidados de segurança para não cair de novo.

Perguntas frequentes

Como pedir o dinheiro de volta de um golpe do Pix? Abra a contestação na área do Pix do aplicativo do seu banco, na transação feita, ou peça a abertura do MED pela central oficial. O banco bloqueia o saldo disponível na conta do recebedor e analisa o caso.

Qual é o prazo para contestar um Pix? A vítima de fraude tem até 80 dias a partir da transferência para pedir a devolução pelo MED. Quanto antes o pedido for feito, maior a chance de haver dinheiro para bloquear.

O banco é obrigado a devolver o Pix do golpe? O banco é obrigado a seguir o MED: bloquear os valores, analisar e devolver o que for encontrado se a fraude for confirmada. A devolução depende de haver saldo nas contas envolvidas e pode ser total ou parcial.

Mandei Pix para a pessoa errada. O MED resolve? Não. O MED não cobre erro de digitação do próprio usuário. Nesse caso, peça ajuda ao seu banco para contatar o recebedor e solicitar a devolução amigável; se ele se recusar, é possível recorrer à Justiça.

O que é o MED 2.0? É a versão do MED que rastreia o caminho do dinheiro depois da primeira transferência e permite a devolução a partir de outras contas. Ela é obrigatória para todos os bancos desde 2 de fevereiro de 2026.

Resumo

Quem cai num golpe do Pix pode pedir o dinheiro de volta pelo MED, direto no aplicativo do banco, em até 80 dias. Desde fevereiro de 2026, o MED 2.0 rastreia o dinheiro mesmo depois de ele passar por outras contas, mas a devolução depende de haver saldo, por isso agir nas primeiras horas é decisivo. O MED não cobre erros de digitação nem desacordos comerciais, e, no golpe do Pix errado, a proteção é devolver sempre pela própria transação. Para fortalecer o orçamento contra imprevistos, veja como funciona a garantia do FGC e onde guardar a sua reserva.

Referências

Conteúdo educativo, sem recomendação de compra ou venda de ativos. Regras de tributação e taxas podem mudar: confirme as condições vigentes antes de investir. Rentabilidade passada não garante resultados futuros.

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Imagem: Barraca de frutas em uma calçada, com caixas de morango e uma placa que diz "Morango 3 por 12,00, aceito Pix". Crédito: Mateus S. Figueiredo / Wikimedia Commons, licença CC BY-SA 4.0.